Talento

Professora da Medicina da USP é indicada para Conselho Europeu de Ressuscitação
Naomi Kondo Nakagawa coordena o projeto Kids Save Lives Brasil, de capacitação de crianças e adolescentes para prestar os primeiros socorros
Por USP - 31/12/2025


Aulas de primeiros socorros para alunos do ensino médio na Faculdade de Medicina com a professora Naomi Kondo Nakagawa – Fotos: Cecília Bastos/USP Imagens


A professora Naomi Kondo Nakagawa, do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP, foi nomeada como fellow do Conselho Europeu de Ressuscitação (ERC) pela sua trajetória acadêmica e profissional na promoção do suporte básico à vida entre crianças e adolescentes, com o projeto Kids Save Lives Brasil. A professora explica a repercussão.

O Conselho Europeu de Ressuscitação é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 1988 por médicos, com a intenção de tornar a ressuscitação de alta qualidade acessível a todos e aumentar as taxas de sobrevivência das pessoas com parada cardíaca. “Ser a primeira fisioterapeuta a participar dessa força-tarefa do Conselho Europeu de Ressuscitação e ser agraciada com o fellowship do Conselho foi uma enorme honra.”

Naomi Kondo Nakagawa – Foto: Linkedin

O que é suporte básico à vida?

“O suporte básico à vida é um atendimento sistematizado de reconhecimento da emergência, mais especificamente da parada cardíaca, fora do ambiente hospitalar. As primeiras ações incluem verificar a segurança do local, verificar a consciência da vítima ou da pessoa em parada, chamar a ajuda, verificar a respiração dessa pessoa e, se identificado que ela está em parada, realizar as compressões torácicas efetivas e as ventilações até a chegada de um desfibrilador externo automático, ou do serviço médico de emergência,” explica.

Naomi também comenta  da necessidade de um atendimento rápido para o paciente em casos de parada cardíaca. “O cérebro começa a morrer a partir do quinto minuto após a parada da circulação do sangue pelo corpo. É necessário agir rapidamente, porque quanto mais tempo essa pessoa ficar em parada, mais sequelas ela pode ter ou até mesmo a morte.”

“Crianças a partir de 4 anos podem ter uma noção de como agir e reconhecer os sinais e pedir ajuda. A partir de 9 e 10 anos, introduzimos o treinamento quase completo, só deixando a parte de uso do DEA (Desfibrilador Externo Automático) a partir de 11 e 12 anos de idade. A ideia de reconhecer, pedir ajuda e realizar essas ações iniciais deve fazer parte da nossa educação, tanto formal quanto como uma educação de cidadão.”

O projeto Kids Save Lives Brasil

“O Kids Save Lives Brasil é um projeto da Faculdade de Medicina da USP, que é coordenado pela professora Maria José Carmona e por mim, iniciado em 2018 com aprovação dos criadores, o professor Bernd Böttiger e o professor Federico Semeraro, da Alemanha e da Itália, respectivamente. Temos um enfoque de treinar, capacitar crianças, adolescentes e adultos das comunidades escolares para identificar e agir em situações como parada cardíaca fora do ambiente hospitalar, o AVC, infarto agudo do miocárdio e engasgo total, por exemplo.”

Ela conclui: “Partimos do princípio que todo cidadão tem o direito à educação e à oportunidade de desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes nessas situações de urgência e emergência. Esse aprendizado poderá salvar a vida de uma pessoa com qualidade até a chegada do serviço médico de emergência ou a um hospital”, finaliza Naomi.

 

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